Blog2Learn | Conectar, compartilhar e aprender

mar/11

29

A Geração Y tem jeito?

Fonte: Sidnei Oliveira / Exame

A cada encontro, workshop e palestra que apresento, sou questionado sobre as características dos jovens de hoje, conhecidos como Geração Y. A principal preocupação quase sempre é como orientar os jovens de forma que não percam suas melhores características?

Talvez já tenhamos passado da hora de discutir sobre como “dar um jeito” na Geração Y.

O que temos agora é um cenário estabelecido, com comportamentos sedimentados pelo “jeito” que lidamos com esta geração quando ela ainda estava em formação. Devemos nos adaptar a este novo cenário, afinal, muitos comportamentos atribuídos a Geração Y, fazem parte de nosso cotidiano, independente da geração. Por exemplo, muito se fala da capacidade de realizar diversas coisas ao mesmo tempo – os multitarefas – qualquer pessoa hoje é um pouco assim, assiste um programa na TV enquanto está respondendo um email no notebook ou atende o celular enquanto está dirigindo.

A Geração Y cresceu de forma diferenciada. São jovens completamente conectados, que possuem uma grande intimidade com as novas tecnologias de comunicação ( internet, celulares e redes sociais). Eles valorizam muito os relacionamentos e buscam participar de experiências inovadoras. Gostam de desafios onde possam usar todo seu potencial e que proporcionem feedbacks rápidos. São mais pragmáticos, contudo perdem o foco com facilidade.

O que é que pode ser feito então?

O maior desafio talvez seja o de proporcionar um ambiente mais adequado no mercado de trabalho, preparando os jovens para serem os profissionais do futuro – os lideres do futuro.

Estamos em um tempo de mudanças de paradigmas. Trabalhar em casa já não é mais um absurdo, principalmente depois do surgimento do notebook, celulares e e-mails. Conceitos como “dias úteis”  e “horário comercial” estão completamente alterados com toda tecnologia digital. O jovem profissional sabe que o trabalho está invadindo sua “vida pessoal”, por isso acha natural que “sua vida” também invada o trabalho.

Entre as principais contribuições que esses jovens podem oferecer às empresas em que trabalham certamente está a ousadia para “quebrar paradigmas” e promover inovações que possam diferenciar a empresa no mercado hiper-competitivo.

Este é o  grande dilema, pois o conhecimento tácito, adquirido com a experiência funcional, ainda está restrito aos profissionais mais experientes, que relutam em transferir estas experiências para os mais jovens, demonstrando evidente comportamento de autopreservação.

O jovem da geração Y não convive com este tipo de cenário por muito tempo e isso tem provocado o aumento nos índices de rotatividade das empresas – entenda-se “aumento dos custos de qualificação e reposição do quadro de funcionários”. O jovem atual é o primeiro profissional que manifesta a expectativa de conciliar suas “duas vidas”, por isso as empresas devem reavaliar muitas de suas diretrizes, pois precisam manter este novo profissional.

Devemos lembrar o tempo todo que os jovens se preparam para empregos que ainda não existem, onde usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda não sabemos que serão problemas.

Fonte: Sidnei Oliveira / Exame

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B2Learn tem como foco o desenvolvimento da aprendizagem colaborativa e ajuda empresas a desenvolverem novas formas de conhecimento e a reter talentos, principalmente jovens da geração Y

•    A interatividade e a necessidade de uma nova comunicação nas corporações levaram a Zaine – empresa de tecnologia com foco na criação de softwares – a desenvolver o B2Learn, uma plataforma voltada exclusivamente para empresas promoverem conhecimento colaborativo entre a geração Y
•    O B2Learn já está sendo usado por grandes empresas como Itaú Cultural e Banco Santander com intuito de levar aos jovens uma proposta de aprendizado diferente das opções do mercado e com atrativo suficiente para reter talentos nas empresas

Uma tendência mundial é a de atender as necessidades da geração Y – uma referência às pessoas nascidas de 1980 em diante e que vêm revolucionando mercados e destruindo conceitos e pré-determinações. Este público carrega entre suas características profissionais diferenças pungentes em sua forma de atuar, aceitar e até de entender o que o mercado corporativo oferece e busca. Esse descompasso tem gerado desgaste e desperdícios de tempo e investimentos das grandes empresas na contratação e treinamento de pessoas.

Assim, na busca por oferecer um serviço de qualidade para o segmento de educação corporativa e de assimilar as novas necessidades do mercado, surgiu o B2Learn, uma plataforma de internet desenvolvida pela Zaine. O B2Learn chegou com o desafio de ir além do e-learning tradicional e oferecer soluções assertivas e propostas diferenciadas para o desenvolvimento de pessoas nas empresas.

Com foco no público jovem, o B2Learn usa os conceitos das redes sociais mais conhecidas, como o Twitter e o Facebook. Voltado ao treinamento e a inclusão dos profissionais na cultura da empresa, ajuda a área de recursos humanos na árdua tarefa de reter os jovens talentos, pois o sistema amplia a interação e faz com que o profissional se sinta parte da corporação mais rapidamente, criando vínculos mais fortes com parceiros, chefes e colegas de trabalho.

“Observamos as mudanças do mercado no segmento de aprendizagem corporativa e percebemos que o modelo antigo não conseguia atender ao público mais jovem, que busca interatividade, rapidez e linguagem diferenciada. Esse foi o pontapé para desenvolvermos o B2Learn”, destaca o fundador da Zaine, Wilton Pinheiro.

O B2Learn foi criado para suprir a falta de engajamento e motivação dos profissionais com os e-learnings hoje disponíveis no mercado, principalmente pelo público jovem. A solução proposta é uma ferramenta de aprendizagem social junto com um time de especialistas para ajudar a implementar, gerir e mensurar programas de aprendizagem colaborativa.

Para Pinheiro, o e-learning tradicional é feito de forma unidirecional e não mapeia a relação aluno-aluno e professor-aluno. Além disso, não reproduz a sala de aula como ambiente social e as conversas de corredor. “Coisas que você teria em um ambiente educacional não existem no e-learning convencional. Então, decidimos usar o sistema colaborativo para trabalhar essa desconexão. Por que não fazer com que as pessoas se sintam parte de um grupo?”, questiona.

“No B2Learn, a ideia não é apenas transmitir conhecimentos. A ideia é construir e compartilhar conhecimentos”, aponta Pinheiro.

Conflito de gerações e evasão de trainees
Hoje em dia, a maioria das grandes empresas bloqueia o uso de redes sociais. E os jovens entram nas empresas querendo conhecer e aprender tudo de forma rápida.

Boa parte dos jovens se sente isolada, porque a empresa não tem gente para fazer uma tutoria em 100% do tempo. Aí o estagiário ou trainee não consegue conhecer a organização como um todo e a frustração toma conta.

Tanto é que as taxas de evasão em programas de estágio ou trainees são altíssimas. E os custos que uma empresa arca com eles também o são. E o que se percebe é que muitos destes jovens saem dos programas por acreditarem que a cultura da empresa não serve para eles e por se sentirem deslocados.

Como funciona o B2Learn
O B2Learn engloba uma rede social corporativa, aos moldes do Facebook, onde as pessoas se reconhecem virtualmente e criam conexões e, com isso, geram maior engajamento.

As salas virtuais reúnem usuários em torno de temas e é onde as pessoas podem compartilhar conhecimentos. O jovem talento se torna parte da instituição, sendo ativo e relevante, o que gera maior motivação e retenção.

Além disso, o B2Learn oferece o serviço de gestão colaborativa: profissionais da Zaine fazem a gestão da ferramenta, visando aplicar metodologias de estímulo, criar relatórios e gerenciar a convergência das discussões.

O sistema utiliza ferramentas síncronas como assíncronas. Entre as síncronas, os principais destaques são as de bate-papo e vídeo online (transmissão de cursos ao vivo, por exemplo). Entre as assíncronas, fórum, wiki e blog.

A ferramenta dispõe de alta flexibilidade para customizações a um baixo custo e é desenvolvida pelo modelo de Software-as-a-Service (Software como Serviço).
A Zaine
A Zaine foi criada, em 2008, a partir da união entre os engenheiros de computação Wilton Pinheiro e Daniel Madruga. Ambos graduaram-se na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O B2Learn é um produto da Zaine Software, empresa que trabalha no modelo de SaaS (Software como um Serviço) atuando no mercado de gestão e transmissão do conhecimento. A Zaine tem como objetivo principal disponibilizar soluções inovadoras e customizadas a cada um de seus clientes, sempre focando em qualidade na prestação de serviços, sejam eles em consultoria ou na disponibilização de sistemas.

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Fonte: http://www.sidneioliveira.com.br/artigos_interna.php?id=97

Bom, o que você acharia de ganhar aproximadamente R$ 15 mil por mês, para ser o zelador de uma ilha paradisíaca, onde teria que coletar correspondências, passear pelas areias brancas, alimentar tartarugas marinhas e peixes, e observar o mergulho das baleias? Sua principal responsabilidade seria fazer posts diários em um blog, incluindo fotos e vídeos mostrando como foi o seu dia.

O empregador disponibiliza uma casa com três quartos e sacadas com vista para o mar, além de um buggy para transporte na ilha. As exigências são simples: ser comunicativo e saber escrever e ler em inglês. O empregador destaca que não é preciso ter qualificações acadêmicas, porém, é necessário saber nadar e ter espírito aventureiro.

Esse emprego existiu e foi anunciado há dois anos, em plena crise econômica mundial. A ideia surgiu para promover um lugar turístico na Austrália e teve, evidentemente, um grande efeito. Milhares de candidatos, de mais de 200 países, se inscreveram, contudo, apenas um candidato foi escolhido.

O inusitado desse episódio é que o emprego duraria apenas 6 meses, depois desse período, o contrato estaria encerrado e ele precisaria procurar outro emprego.

O britânico Ben Southall foi o escolhido no processo seletivo. Foi ele quem perdeu o “emprego dos sonhos” para se tornar um guia turístico. Será que ele foi feliz no melhor emprego do mundo?

Veja o vídeo

Provavelmente ele teve momentos felizes, contudo o conceito de felicidade é flexível e totalmente mutante, e é isso que permite uma reflexão sobre o que é a verdadeira expectativa sobre o melhor emprego do mundo.

Ser zelador na ilha, proporcionou um grande desenvolvimento pessoal ao sr. Ben, que trabalhava como arrecadador de verbas em sua cidade natal. A experiência teve o mérito de proporcionar um novo estágio de autoconhecimento. O emprego certamente criou condições financeiras mais vantajosas e o local de trabalho realmente era absolutamente agradável. Contudo, mesmo tendo características únicas, não foi suficiente para atingir as reais expectativas do Sr. Ben.

Depois de explorar o trabalho por algum tempo, ele descobriu que tinha uma vocação natural para a aventura, por isso começou a desejar mais desafios, mais conhecimento desse seu novo talento.

Usando de muita criatividade, o Sr. Ben conseguiu achar uma forma de transformar sua experiência em um empreendimento que fosse mais duradouro. Hoje ele é um respeitado guia turístico na Austrália e promove aventuras para seus clientes.

Ter a chance de descobrir seu talento certamente foi o melhor benefício que o emprego de zelador da ilha lhe proporcionou.

Se conseguirmos explorar nosso trabalho ao ponto de  descobrirmos todo o  nosso potencial, estaremos então caminhando na direção de transformar nosso trabalho no melhor emprego do mundo. Afinal, como diz o ditado popular:

O importante não é fazer o que gosta, mas sim gostar do que faz.

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jan/11

10

Blog2Learn Entrevista: Henrique Vedana

Henrique Vedana é o nosso primeiro entrevistado de 2011 e o começo do ano não poderia ser melhor. Henrique é um cidadão do mundo que já morou e trabalhou em diversos países na América Latina, Europa e Asia. Foi presidente da AIESEC Brasil (http://www.aiesec.org.br/site/ ) e participou por 3 anos do inovador sistema de ensino do Kaospilot (http://www.kaospilot.dk ) na Dinamarca, com passagem como consultor em empresas como Banco Real e Natura. Hoje Henrique dedica esforços em projetos relacionados a Educação Não-Formal, Aprendizagem, Inovação e Empreendedorismo. Convidamos o Henrique para falar um pouco sobre Geração Y e Aprendizagem, confira abaixo suas ideias:

 

B2L: O que é Geração Y para você?

Eu me questiono muito se as características da Geração Y são reflexo do impacto das mudanças tecnológicas na sociedade ou se é a sociedade que está mudando impulsionando as mudanças tecnológicas… é como pensar quem veio antes, o ovo ou a galinha? Por exemplo, eu nasci em 78 ainda no mundo analógico, com fita K7, vi o computador pessoal nascer e joguei Atari… as tecnologias de comunicação influenciam na maneira que as pessoas conversam umas com as outras, então quando a tecnologia muda, a forma de comunicação também muda. O meu questionamento é se as demandas por novas formas de comunicação da sociedade causaram as mudanças tecnológicas ou se foi ao contrário.

Uma das coisas que eu considero mais fortes dessa Geração Y é como as pessoas estão mais próximas! O satélite foi uma das grandes invenções do século passado justamente por possibilitar a comunicação em tempo real. Isso aliado ao avanço da internet permite as pessoas se comunicarem com extrema agilidade.

Hoje vemos o avanço das redes sociais, mas é bom lembrar que as “redes sociais” como Facebook possibilitaram você visualizar a rede de pessoas em uma maneira nunca visualizado antes e com isso encontrar novas pessoas. Esse fenômeno faz com que as pessoas queiram saber melhor quem são elas e qual é a sua tribo. Antigamente nosso grupo era restrito a nossa geografia, meu colégio, minha rua e os locais onde eu frequentava determinavam muito quem eu era e como eu me comportava e hoje o jovem não se contenta com isso, ele vai além e a internet é o portal de conexão dele com pessoas do mundo todo.

 

B2L: Você acha que existe conflito entre essas duas gerações que você mencionou: a analógica e a digital?

Sim, eu acho que existe e que parte disso é natural, pois o conflito do adulto com os jovens sempre existiu independente de X/Y. Agora a grande novidade que estamos vivendo hoje e que eu não me recordo de outro momento na história da humanidade que isso aconteceu é que os mais jovens estão ensinando os mais velhos algo, ou seja, os mais jovens detêm um conhecimento que a geração mais velha não detém. Isso impacta as relações e inclusive a questão do poder, pois o jovem domina a tecnologia digital com mais fluência que os mais velhos.

 

B2L: Pensando agora nas empresas, como você vê o impacto das característica dessas pessoas de diferentes gerações nas empresas de hoje?

Nesse ponto o assunto fica mais complexo, porque nós até possuímos empresas meramente Y formadas for jovens desde o advento da internet com um modus operandi peculiar que hoje serve de exemplo para outras em como inovar, como atrair e reter o jovem. Agora imagine isso em uma organização maior com a presença de diferentes gerações… aumenta bastante o desafio em como gerir e atender a necessidade de cada grupo de pessoas. A medida que esses jovens Y assumem cargos de liderança eu vejo um impacto positivo em provocar mudanças, intensificar a integração entre gerações e melhorar as interações com outros jovens Y que estão em começo de carreira.

 

B2L: Volta novamente naquele seu ponto dos jovens poderem ensinar aos mais velhos e o ganho de poder a partir do conhecimento. Há um novo fator que impulsiona as promoções e a ascensão de carreira.

Exatamente. E isso é parte do conflito das gerações em si.

Uma outra habilidade desses jovens que me impressiona é a capacidade de filtrar informação e escolher o que lhe é relevante. Eu sou da época dos livros e do conhecimento escasso, hoje o conhecimento (ou informação) é abundante e em todo lugar. Isso impacta nas relações profissionais.

 

B2L: Falando agora de aprendizagem, você participou por 3 anos do inovador sistema de ensino do Kaospilot na Dinamarca, como você descreve essa experiência?

Foi uma experiência de vida muito forte, de grande desenvolvimento pessoal além das competências que a gente acaba desenvolvendo lá de gestão de projetos, de gestão de pessoas e criação de negócios que eram as três áreas do curso. A escola existe desde 91 antes mesmo da geração Y entrar para o mercado e a característica principal da escola está fortemente relacionado ao fato da tecnologia hoje possibilitar novas formas de aprendizagem que não apenas o livro ou a figura do mestre. A escola acredita da liberdade para buscar seu próprio conhecimento e seu próprio aprendizado e essa liberdade não significa “desleixo” ou falta de esforço, ela implica na responsabilidade de você buscar aquilo que faz sentido para você. A escola então serve como apoio para que o jovem possa desenvolver suas habilidades, descobrir aquilo que te faz sentido e buscar experiências únicas que a escola oferece.

 

B2L: Traçando um paralelo com o sistema de ensino brasileiro, sabemos que uma mudança deverá ocorrer, mas que os órgãos reguladores podem ser uma barreira para a concretização dessa mudança. Como você acho que isso vai acontecer?

Eu acompanho algumas instituições e vejo que elas e os professores estão sendo desafiados todo o tempo, mas existem várias realidades em cada instituição e grupo de alunos, então, como consequência, cada um traçará seu caminho. Eu acredito que esses modelos alternativos de ensino como a própria Kaospilot servem de inspiração e modelo para essa mudança, que já começou de forma incipiente em algumas escolas.

A frase final que o Vedana deixou foi: “A empresa é uma escola e estão na frente aqueles empresários que entendem isso e trabalham para desenvolver cidadão e não simplesmente operários.

 

Agradecemos ao Vedana pela participação e convidamos vocês, nossos leitores, para discutir as várias idéias que ele deixou.

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Meu amigo e consultor Rodolfo Baccarelli enviou um dos melhores vídeos que já vi para descrever a Geração Y do ponto de vista histórico e apontar sua influência no futuro econômico e social.

Pluralismo, simultaneidade e liberdade são características intrínsecas a Geração Y. Trazendo para nosso contexto de aprendizagem corporativa e gestão do conhecimento: o novo sempre intimida. Como engajar e motivar esses jovens no ambiente de trabalho? Como acompanhar o dinamismo social?

Como diz o vídeo, quem acha que já sabe bastante e está em paz com seu espaço e atitudes está oficialmente excluído.

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Bruno Ayres, fundador e coordenador do Portal do Voluntário, foi nosso convidado para um bate papo sobre o crescimento do trabalho voluntário, a utilização das mídias sociais como agentes deste crescimento e ainda como a prática das ações sociais determina o interesse dos jovens talentos pelas empresas.

Lançado em dezembro de 2000, o Portal do Voluntário surgiu como plataforma de continuidade ao Programa Voluntários, da Comunidade Solidária. Seu crescimento aconteceu em paralelo ao crescimento das redes sociais, e talvez até em função destas, já que também foi uma das primeiras aplicações de voluntariado em redes sociais do mundo. “Senão a primeira” – conforme nos conta Bruno.

Pioneirismo é a palavra chave desta conversa: Bruno Ayres fez carreira junto ao terceiro setor, desmitificando a idéia de que uma organização não governamental é financeiramente inviável; ao mesmo tempo fez a história acontecer, unindo forças diversas da sociedade em prol da prática do trabalho voluntário.

Podemos dizer sim que o crescimento do trabalho voluntário no Brasil, assim como o aumento do engajamento das pessoas é diretamente relacionado ao trabalho de Bruno. Por isso, nada mais justo que sua identificação imediata como agente direto na transformação do mundo, para o bem.

O portal é agora V2V Brasil, uma empresa híbrida, com atuação dentro e fora do país. Conheça a história que vale a pena ser contada, recontada e que continua sendo escrita. A várias mãos.

B2L: Por favor, conte um pouco da história e motivação para a criação da V2V.

Formei-me em Administração de empresas pela UNB e desde que era estudante tinha uma veia empreendedora muito forte. Fui da Empresa Junior da UNB, ocupei um cargo operativo, depois marketing, cheguei a Presidente e nessa experiência eu acabei fazendo muitos contatos. Fundei a minha primeira empresa aos 22 anos de idade. Era uma empresa de informação, de pesquisa de mercado e opinião pública. Esta foi a minha primeira experiência empreendedora.

Esta empresa existiu por cerca de 4 anos e depois eu decidi fazer um mestrado no Rio de Janeiro. Me interessei muito pelo tema social. Sempre tinha na cabeça que eu poderia trabalhar numa coisa como essa e na época que eu fiz faculdade não se falava muito em terceiro setor, não era considerado uma carreira. A idéia era sempre “primeiro vá ganhar o seu dinheiro e depois faça alguma coisa voltada para isto”.

Aí eu vi que o terceiro setor era uma oportunidade profissional interessante e eu quis estudar o assunto e trabalhar com isto. Vim para o Rio fazer uma tese de mestrado sobre como a informação pode estimular pessoas a serem voluntárias. Estudando isto eu me engajei no programa de voluntários da Comunidade Solidária da Ruth Cardoso.

Logo no primeiro ano surgiu a oportunidade de fazer o Portal do Voluntário. Nós fizemos e foi um sucesso danado no primeiro ano. O projeto deveria durar somente um ano! Acabou que dura até hoje. Comemoramos 10 anos. Foi uma experiência muito interessante, eu pude implementar várias coisas que eu tinha estudado na Universidade no campo prático. Uma das coisas que ficou muito clara na minha pesquisa de mestrado é que a informação fortalece o cidadão para que ele seja voluntário e faz com que algumas barreiras sejam transpostas com isso, como por exemplo, uma formalização excessiva na atividade voluntária no Brasil.

Antes, havia uma idéia muito romântica de que o ideal seria você profissionalizar ações voluntárias e isso gerava um engessamento muito grande já que conseguir uma atividade voluntária era quase que como conseguir um emprego. Você tinha mil entrevistas e todo aquele processo de recrutamento congelava a vitalidade do voluntário, aquela que ele tem quando quer começar a se voluntariar. Nem todas as atividades voluntárias precisam de uma formalização. Quando você vai atuar em um hospital ou em alguma coisa muito crítica você precisa saber muitas normas, por exemplo. Mas a maioria dos voluntários são pessoas como eu e você, que tem uma idéia, se juntam e vão fazer alguma coisa. Não necessariamente passam por um processo formal de engajamento. Focamos então nas pessoas que tinham as idéias e queriam fazer coisas até porque o número de Instituições no Brasil hoje, cerca de 300 mil, pesa de um lado da balança, mas do outro você tem quase 60 milhões de brasileiros que querem ser voluntários. Então mesmo se as instituições estivessem todas prontas para receber os voluntários, teria muita gente na fila.

Resolvemos fazer um sistema em que as pessoas pudessem, elas mesmas, entrar em contato pra realizar suas coisas, divulgar suas ações, enfim. Foi quando começamos a trabalhar com a idéia de blog em 2002 e aí nos deparamos com o Orkut. Nos pareceu incrível, pouca gente no Brasil usava na época e resolvemos, no final de 2003, que colocaríamos nosso formato de blog, em um formato de redes sociais. A gente certamente foi uma das primeiras aplicações de voluntariado em redes sociais do mundo(senão a primeira) e fez muito sucesso com isto.

Em 2004 fomos convidados para congressos internacionais, apresentamos nossas idéias de desformalização do voluntariado junto com a discussão de Web 2.0, que era novíssima na época. Isto tudo nos deu um impulso muito grande. No Brasil multiplicamos nosso número de parceiros. Somente um parênteses: a gente se viabiliza financeiramente customizando nossa rede. O Portal do Voluntariado para uso dentro das empresas privadas. Toda a sociedade pode usar o Portal de forma gratuita, mas quem quer customizações nos paga para que façamos isto. Empresas como Itaú, Vale, HSBC são empresas que tem o seu Portal do Voluntariado corporativo para os funcionários.

O numero de parceiros se multiplicou muito e fomos convidados para fazer o V2V nos EUA em parceria com o Starbucks. Isto foi em 2006/ 2007. Implementamos lá e hoje o V2V é uma empresa.

De 2 anos pra cá, percebemos que não tínhamos nenhuma ação social direta, éramos mais ferramenteiros, oferecíamos o serviço somente. Percebemos que precisávamos de um dinamismo gerencial que a ONG não dá no sentido de investimentos, pagar as pessoas como a iniciativa privada, reter talentos.

Hoje, a V2V é uma empresa social que tem hoje cerca de 100 mil participantes, usuários do mundo inteiro e desenvolve cerca de 20 mil acessos voluntários.

 

B2L: A história é impressionante. A V2V foi uma das primeiras redes sociais brasileiras e a rede social é hoje uma “commoditie” : todo mundo usa Facebook, Orkut. Como vai ser a sinergia da V2V com estas outras redes de outros nichos. Como você falou, o V2V usa estas mídias para poder potencializar os todos os canais.

Começamos este ano a fazer as conexões. Os novos V2Vs já estão surgindo com conexões com o Twitter, Facebook e Orkut. A idéia é que estas plataformas todas se conectem, para que possamos informar voluntários que estão em qualquer uma delas e a partir daí, quem quiser se aprofundar vai para dentro do V2V. Nossa idéia é conversar com todos, há uma proliferação muito grande das redes e eu acho isso ótimo, torna tudo mais transparente, a coisa flui muito melhor e realmente, aquela visão de futuro que a gente tinha que as relações voluntárias seriam cada vez mais pessoais e menos formais, realmente acabou acontecendo. Parte porque a gente ajudou, mas em grande parte porque a sociedade queria e caminhou pra isso naturalmente.

 

B2L: Na sua opinião, qual a principal característica que diferencia um voluntário de algum colaborador pago?

Desejo, a vontade de participar e a independência. Ninguém obriga o voluntario a participar, você precisa ter o acordo dele para que ele faça e isto torna qualquer atividade diferente na essência.

Uma vez eu conheci o Jimmy Wales, uma das coisas que ele falou foi que mesmo que ele tivesse todo o dinheiro do mundo para pagar a Wikipédia, não existiria a Wikipedia. Toda a liberdade, a diversidade de assuntos, por menores e mais localizados que eles sejam, não haveria esta vivacidade, não fosse o fato deles serem voluntários.

Acho que o voluntariado está na essência da criatividade, mesmo o trabalho pago, coisas realmente geniais, o que está por trás é realmente uma vontade muito grande de resolver algum problema. O cara vai além das horas pagas, pensa fora da caixa, assume riscos. Para tudo isto, ele ta doando um pouco de si. Eu acho que todas as coisas grandes são realizadas com um intuito voluntário.

B2L: Traçando um paralelo com a Geração Y, os jovens talentos que estão hoje no mercado: estes jovens não são motivados exclusivamente pelo salário. Um balde de dinheiro não faz estes jovens trabalharem mais ou menos, eles precisam da oportunidade de aprendizado, da relevância; sentir que fazem parte de um todo. Você acha que o perfil destes jovens que estão entrando nas empresas agora, ou mesmo empreendendo, é mais próximo ao de um voluntário?

Eu acho que sim. Acho que essa garotada entende perfeitamente tudo isso que você falou. Não basta um bom pacote de benefícios, é preciso conquistar um pouco da alma deles também. Cada vez mais eles procuram empresas que estejam preocupadas com a sustentabilidade, com o impacto que o seu negócio, produto ou serviço tem sobre a sociedade. Eu penso que a empresa que não tem isso, não irá pegar os melhores talentos.

Penso ainda que é por isso que todas as empresas estão fazendo seus programas de voluntariado e estão preocupadas com estes temas. É um pré requisito básico na retenção de talentos. Quando eu penso na minha experiência, quando era jovem eu queria fazer tais coisas, mas o mercado parecia um só: vá atrás de dinheiro, priorize isto, ou não existe outro mundo. Descobri ao longo da minha carreira, que não é assim. Fiz uma carreira no terceiro setor, hoje tenho uma empresa híbrida e eu acho que estes mundos estão se misturando cada vez mais. Você não precisa mais isolar a sua escolha “eu quero é dinheiro” ou “eu quero a ação social”. Você pode muito bem ganhar a sua vida, trazendo um produto que a sociedade precise, que seja bom pra ela e que seja bom para você ao mesmo tempo. Estas fronteiras vão, cada vez mais, se diluir. E a empresa que não responder aos anseios não só materiais, mas também pessoais dos seus funcionários, pensando no que eles querem, qual a visão de sociedade que eles têm e como ela pode ajudar este colaborador a realizar esta visão social, vão ficar para trás.

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lilianeferrariJornalista, produtora cultural, blogueira. É heavy-user de internet e participa de redes sociais. Já foi eleita pelo site IG uma das 10 Mulheres Brasileiras Mais Influentes das Mídias Brasileiras. O currículo completo (http://lilianeferrari.wordpress.com/), não pode ser lido simplesmente. Deve ser admirado com todo o respeito necessário às suas intensas realizações. Parece até incabível se nos atentarmos aos seus declarados 13 anos de carreira. Facilita o entendimento se prestarmos atenção a algumas auto-definições: “Tenho a curiosidade no nível máximo! Hiperativa crônica!”

Ah sim. Agora faz sentido!

Em um bate-papo com o Blog2Learn, tentamos entender um pouco sobre o seu jeito de aprender e sua visão sobre as novas formas de aprendizagem presentes nas mídias sociais.

Agradecemos a oportunidade de tê-la aqui, compartilhando e inaugurando uma série de entrevistas sobre este assunto tão presente no nosso cotidiano virtual.

B2L: Quando deparada com a necessidade de estudar, como você descreveria seu processo de aprendizagem?

Primeiro eu faço uma busca num Google. Começo a dar uma olhada no que encontrei, faço uma triagem no que encontrei para encontrar o que é melhor, nos que tem informação mais confiável, porque nem tudo que aparece da pra você ler e confiar que esta certinho. Depois, se eu gosto muito do assunto, compro um livro. Ainda não leio livros em pdf, não gosto muito. Busco complementar com livro, um de papel mesmo. Eu ainda não consigo ler um livro em pdf. Quando eu leio ou vejo um programa, gosto de contar pra todo mundo. Funciona, para mim, como uma forma de aprender. Quando eu falo aquilo que eu li, eu geralmente aprendo. Tenho esta necessidade.

B2L: Qual o papel da rede social, blogs e twitter no aprendizado?

De me mostrar conhecimentos diversos, diversos pontos de vista. No twitter, por exemplo, sempre tem o assunto do dia. Ali eu sigo e posso ver diversos pontos de vista, várias pessoas diferentes. Pessoas que apóiam, que desaprovam, que tem um raciocínio mais sofisticado sobre aquilo que foi falado e que reflexiona mais e outras que já são mais espontâneas e falam o que pensam. Eu gosto de ter aquilo como ferramenta para ser meio um panorama de como as pessoas estão pensando.

B2L: Então hoje em dia é importante saber como as pessoas pensam em volta de você?

Sim, e como pensam como elaboram o pensamento, eu acho legal ver.

B2L: Vamos pensar nos últimos 10-12 anos. Pelo que entendi,  você é uma pessoa muito social, que precisa de gente, Você é uma pessoa que se conecta com outras pessoas, que está sempre no social. Como mudou essa sua rede?

Eu sempre gostei muito de pessoas, de falar com todo mundo. Na escola, desde a 7ª série eu queria ser representante de classe, queria passar em todas as salas, falava com todo mundo, agitava festinha e tal. Da 7ª série até hoje passou um tempão, mas eu praticamente continuo tendo a mesma vontade de falar com pessoas, de ver pessoas. A Internet, para mim, somente potencializou porque quando você não tem internet você depende do seu corpo físico pra conseguir dar conta de ir ao seu amigo, falar com ele, sair, andar, ir pra um lugar e pro outro. Quando você está na internet, está parado ali, quietinho e ao mesmo tempo você fala com todos os seus amigos. Dá uma otimizada no tempo. Facilita muito e é essa coisa que facilita, potencializa. Você gasta menos energia e faz mais coisas.

B2L: Pensando um pouco na geração Y. Ela é rotulada como aqueles que nasceram  depoisp de 1980 e são caracterizados pelo imediatismo, com uma necessidade de estar conectados, precisam se sentir parte de um grupo, fazer acontecer. Isso não é uma coisa comum a todos e não exclusiva a esta faixa etária, mas é uma característica em linhas gerais. Existe uma questão grande hoje em dia quanto ao amadurecimento desta geração. Qual o impacto, a mudança na sociedade você imagina que vai ocorrer com o amadurecimento da Geração Y e a chegada no poder?

Acho que dentro desta geração tem aquelas pessoas que também são parecidas comigo. Que gostam de falar, conversar com o outro, existem em rede e tal. Acho que existe um outro grupo dentro desta geração que tem uma personalidade que não é esta “quero ter um milhão de amigos no facebook” ou “quero ter um monte de gente me seguindo no twitter”. Acho que tem ainda gente que apesar de ter nascido numa geração bem mais digital do que eu, que nasci em 75,  ainda usa a ferramenta como gente que gosta de falar com gente.

O que eu acho que pode melhorar é que estas pessoas já tem a tecnologia incorporada no dia a dia, no cotidiano. Então, talvez quando estas pessoas chegarem ao poder,  as questões de tecnologia e facilitação de processos burocráticos podem ser melhorados porque vai ser uma geração mais familiarizada para usar  as ferramentas. Elas são coisas muito cotidianas, corriqueiras em termos técnicos. Mas em termos de conteúdo e relacionamento eu sempre acreditei que faz muito mais parte da personalidade da geração.

Sou formada desde 1996 e vejo muita diferença. Já fizemos reunião de formados. Tenho colegas da faculdade que não sabem usar e-mail direito. Outro dia fui em um evento e tinha uma garota novinha de 19 anos dizendo como ela lidava com a Internet e eu me achei muito mais parecida com ela do que  com as pessoas que são da minha idade. Por isso eu acho que é mais uma coisa de personalidade.

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Softwares sociais dominaram a Internet nos últimos anos, alimentando um crescimento maciço de plataformas colaborativas, como blogs e wikis, e uma enorme expansão das redes sociais em comunidades virtuais. Essas tecnologias estão levando os consumidores a participarem de uma forma nunca antes vista do processo decisório das empresas e chegou a hora das empresas começarem a adotá-las como parte das suas estratégias de gestão da informação e do conhecimento. É a idéia da “Enterprise 2.0” ou “Empresa 2.0”. Foi assim que eu interpretei a mensagem passada por Andrew McAfee, pesquisador do Center for Digital Business no MIT Sloan School of Management, em entrevista concedida ao jornal da consultoria McKinsey.

Apesar da entrevista ter sido publicada em um vídeo curto de 10 minutos, ela é tão densa em termos de conteúdo que eu planejei uma série de artigos para discutir cada um dos tópicos abordados por McAfee.

A pergunta de hoje é:

“Como a Enterprise 2.0 está mudando a maneira como trabalhamos?”

Andrew McAfee:

“Eu acho que estamos muito mais próximo da maneira como realmente queremos trabalhar. Para mim foi muito elucidante entender a história da Wikipedia” (…) “… no início eles pensaram que a maneira de fazer isso era criar um processo em sete passos bem definidos” (…) “… atrairam pouca atenção com essa abordagem.”

“Foi somente quando eles disseram: ‘Ok, vamos esquecer isso tudo. Vamos apenas criar essa coisa estranha chamada Wiki, (…) onde cada um vai poder escrever o que quiser’”(…) “que eles viram o quanto as pessoas ficaram extremamente entusiasmadas em juntar forças e fazer o que era natural para elas.  O que foi fascinante para eles e também para mim, foi quando percebemos a qualidade do trabalho que estava sendo produzido.”

Minha opinião:

O ponto fundamental nessa resposta foi “deixe as pessoas trabalharem da forma que elas querem”. Tentar definir processos rígidos para controlar o modo como as pessoas aprendem, geram conhecimento e inovam em um ambiente colaborativo é bobagem.

Essa é, historicamente, uma das coisas mais difíceis de fazer os clientes entenderem quando estamos montando estratégias de implantação do B2Learn, nosso produto de redes sociais corporativas. Um exemplo recorrente é a preocupação que alguns deles tem em sequenciar de forma rígida os conteúdos para formar um curso online. É o famoso “bloquear o botão próximo”. A prática mostrou que não adianta impedir que o usuário veja o módulo 3 antes do 2 ou colocar um contador que só vai habilitar o botão “Próximo” depois de 5 minutos. Sequenciar o conteúdo, sugerindo o caminho a ser seguido, em alguns casos pode até ser uma boa idéia, mas impor essa ordem, ou muito pior, o ritmo, é tremendamente ineficiente e muitas vezes irritante para os usuários.

Apesar disso, é fantástico ver como essa ânsia por controle total e rigidez vem ficando mais brandas nos últimos anos. Hoje, mais da metade das instalações do B2Learn parece muito mais com um Orkut corporativo do que com uma adaptação do modelo Aula/Provas/Resultados para o mundo online.

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Tive o prazer de trabalhar como engenheiro de software na IBM, uma das empresas que, na minha opinião, prova que tradição e inovação é uma mistura que dá certo na busca por sucesso.

Na época eu trabalhava em uma equipe global do Linux Technology Center. Eu ficava sozinho no Brasil e meus colegas espalhados em alguns estados dos Estados Unidos, na Inglaterra e na Índia. Foi lá que pela primeira vez experimentei o uso intensivo da Internet para me comunicar com colegas de trabalho. Entre as ferramentas que usávamos uma me chamou especial atenção, sobretudo pelo volume de usuários e pela atividade gerada. Era a BluePages, rede social corporativa interna da IBM, criada no início da década de 2000 para conectar funcionários que, como eu, viviam em “cantos remotos” do mundo e/ou trabalhavam em equipes geograficamente distribuidas. Em 2007, quando eu sai da IBM, a BluePages tinha 450.000 perfis de colaboradores e recebia 6 milhões de visitas diárias.

A BluePages é uma versão modificada das redes sociais abertas como Orkut e Facebook. Ela permite a criação de perfis de usuários com informações de contato, fotos, criação de biografia, descrição de competências pessoais, interesses profissionais e pessoais, criação de blogs e compartilhamento de bookmarks, assim como conexão com “colegas” e mecanismos de tagging (marcação de conteúdos com palavras-chave).

O primeiro efeito que essa rede teve sobre mim foi de me dar a sensação de conhecer meus colegas de trabalho, mesmo eles estando a milhares de km de mim. Depois de pouco tempo na empresa eu os reconheceria andando no meio da rua. Começava os conference calls perguntando como estava o andamento da venda da casa da minha chefe, ou como havia sido o fim de semana na praia de um dos meus colegas que acabou virando um amigo. Ou seja, eu me sentia interagindo com seres humanos e não com um email ou um número de telefone.

A segunda coisa que percebi foi como era fácil achar pessoas com habilidades específicas dentro da IBM. Eu trabalhava como engenheiro de testes de um produto relativamente complexo, formado por vários componentes. Em um estágio do projeto eu deveria elaborar ferramentas de testes para um compilador Java. Logo eu percebi que para fazer um trabalho decente eu precisaria da ajuda de um especialista na tecnologia e que esse perfil era inexistente na minha equipe. Em alguns minutos de busca na BluePages eu descobri que uma das maiores assumidades no assunto trabalhava na IBM da Inglaterra e uma hora depois eu estava conversando com ela.

Tempos depois o IBM Watson Research Center lançou o Beehive, uma rede social experimental para a empresa que vai muito além das funcionalidades oferecidas pela BluePages. Mas esse é um assunto para um próximo post!

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1 – Acesso rápido ao conhecimento
2 – Expansão das conexões pessoais e o contato mais próximo
3 – Livre exposição da identidade pessoal virtual e reputação
4 – Referências, depoimentos, benchmarking e atualização por RSS

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