Blog2Learn | Conectar, compartilhar e aprender

jan/11

10

Blog2Learn Entrevista: Henrique Vedana

Henrique Vedana é o nosso primeiro entrevistado de 2011 e o começo do ano não poderia ser melhor. Henrique é um cidadão do mundo que já morou e trabalhou em diversos países na América Latina, Europa e Asia. Foi presidente da AIESEC Brasil (http://www.aiesec.org.br/site/ ) e participou por 3 anos do inovador sistema de ensino do Kaospilot (http://www.kaospilot.dk ) na Dinamarca, com passagem como consultor em empresas como Banco Real e Natura. Hoje Henrique dedica esforços em projetos relacionados a Educação Não-Formal, Aprendizagem, Inovação e Empreendedorismo. Convidamos o Henrique para falar um pouco sobre Geração Y e Aprendizagem, confira abaixo suas ideias:

 

B2L: O que é Geração Y para você?

Eu me questiono muito se as características da Geração Y são reflexo do impacto das mudanças tecnológicas na sociedade ou se é a sociedade que está mudando impulsionando as mudanças tecnológicas… é como pensar quem veio antes, o ovo ou a galinha? Por exemplo, eu nasci em 78 ainda no mundo analógico, com fita K7, vi o computador pessoal nascer e joguei Atari… as tecnologias de comunicação influenciam na maneira que as pessoas conversam umas com as outras, então quando a tecnologia muda, a forma de comunicação também muda. O meu questionamento é se as demandas por novas formas de comunicação da sociedade causaram as mudanças tecnológicas ou se foi ao contrário.

Uma das coisas que eu considero mais fortes dessa Geração Y é como as pessoas estão mais próximas! O satélite foi uma das grandes invenções do século passado justamente por possibilitar a comunicação em tempo real. Isso aliado ao avanço da internet permite as pessoas se comunicarem com extrema agilidade.

Hoje vemos o avanço das redes sociais, mas é bom lembrar que as “redes sociais” como Facebook possibilitaram você visualizar a rede de pessoas em uma maneira nunca visualizado antes e com isso encontrar novas pessoas. Esse fenômeno faz com que as pessoas queiram saber melhor quem são elas e qual é a sua tribo. Antigamente nosso grupo era restrito a nossa geografia, meu colégio, minha rua e os locais onde eu frequentava determinavam muito quem eu era e como eu me comportava e hoje o jovem não se contenta com isso, ele vai além e a internet é o portal de conexão dele com pessoas do mundo todo.

 

B2L: Você acha que existe conflito entre essas duas gerações que você mencionou: a analógica e a digital?

Sim, eu acho que existe e que parte disso é natural, pois o conflito do adulto com os jovens sempre existiu independente de X/Y. Agora a grande novidade que estamos vivendo hoje e que eu não me recordo de outro momento na história da humanidade que isso aconteceu é que os mais jovens estão ensinando os mais velhos algo, ou seja, os mais jovens detêm um conhecimento que a geração mais velha não detém. Isso impacta as relações e inclusive a questão do poder, pois o jovem domina a tecnologia digital com mais fluência que os mais velhos.

 

B2L: Pensando agora nas empresas, como você vê o impacto das característica dessas pessoas de diferentes gerações nas empresas de hoje?

Nesse ponto o assunto fica mais complexo, porque nós até possuímos empresas meramente Y formadas for jovens desde o advento da internet com um modus operandi peculiar que hoje serve de exemplo para outras em como inovar, como atrair e reter o jovem. Agora imagine isso em uma organização maior com a presença de diferentes gerações… aumenta bastante o desafio em como gerir e atender a necessidade de cada grupo de pessoas. A medida que esses jovens Y assumem cargos de liderança eu vejo um impacto positivo em provocar mudanças, intensificar a integração entre gerações e melhorar as interações com outros jovens Y que estão em começo de carreira.

 

B2L: Volta novamente naquele seu ponto dos jovens poderem ensinar aos mais velhos e o ganho de poder a partir do conhecimento. Há um novo fator que impulsiona as promoções e a ascensão de carreira.

Exatamente. E isso é parte do conflito das gerações em si.

Uma outra habilidade desses jovens que me impressiona é a capacidade de filtrar informação e escolher o que lhe é relevante. Eu sou da época dos livros e do conhecimento escasso, hoje o conhecimento (ou informação) é abundante e em todo lugar. Isso impacta nas relações profissionais.

 

B2L: Falando agora de aprendizagem, você participou por 3 anos do inovador sistema de ensino do Kaospilot na Dinamarca, como você descreve essa experiência?

Foi uma experiência de vida muito forte, de grande desenvolvimento pessoal além das competências que a gente acaba desenvolvendo lá de gestão de projetos, de gestão de pessoas e criação de negócios que eram as três áreas do curso. A escola existe desde 91 antes mesmo da geração Y entrar para o mercado e a característica principal da escola está fortemente relacionado ao fato da tecnologia hoje possibilitar novas formas de aprendizagem que não apenas o livro ou a figura do mestre. A escola acredita da liberdade para buscar seu próprio conhecimento e seu próprio aprendizado e essa liberdade não significa “desleixo” ou falta de esforço, ela implica na responsabilidade de você buscar aquilo que faz sentido para você. A escola então serve como apoio para que o jovem possa desenvolver suas habilidades, descobrir aquilo que te faz sentido e buscar experiências únicas que a escola oferece.

 

B2L: Traçando um paralelo com o sistema de ensino brasileiro, sabemos que uma mudança deverá ocorrer, mas que os órgãos reguladores podem ser uma barreira para a concretização dessa mudança. Como você acho que isso vai acontecer?

Eu acompanho algumas instituições e vejo que elas e os professores estão sendo desafiados todo o tempo, mas existem várias realidades em cada instituição e grupo de alunos, então, como consequência, cada um traçará seu caminho. Eu acredito que esses modelos alternativos de ensino como a própria Kaospilot servem de inspiração e modelo para essa mudança, que já começou de forma incipiente em algumas escolas.

A frase final que o Vedana deixou foi: “A empresa é uma escola e estão na frente aqueles empresários que entendem isso e trabalham para desenvolver cidadão e não simplesmente operários.

 

Agradecemos ao Vedana pela participação e convidamos vocês, nossos leitores, para discutir as várias idéias que ele deixou.

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Twitter

RSS Feed

1 Comentário para Blog2Learn Entrevista: Henrique Vedana

Natália | janeiro 10, 2011 em 14:36

Oi Wilton, começou o ano muito bem! Gostei bastante da entrevista!
Henrique, parabéns pelo seu trabalho. Sou alumnus da @USP e fico muito feliz em ver as experiências de outros alumni, principalmente quando elas fazem diferença, como a sua!
Pra mim a melhor parte da entrevista é o relato da sua experiência no Kaospilot e no que eles acreditam: “liberdade para buscar seu próprio conhecimento e seu próprio aprendizado (…) você buscar aquilo que faz sentido para você”.
Acredito muito nestas palavras e por isso estou desenvolvendo um buscador de internet para crianças, para que elas possam buscar seu próprio conhecimento em um ambiente com mais segurança e voltado para o aprendizado, que possa ser utilizado nas escolas também. Se puder, dê uma olhada lá: http://www.zuggi.com.br. Quero muito saber mais sobre a sua experiência lá na Dinamarca, se puder me adicione no twitter para conversarmos melhor: @conexaozuggi

Escreva um comentário!

<<

>>

Procure!