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lilianeferrariJornalista, produtora cultural, blogueira. É heavy-user de internet e participa de redes sociais. Já foi eleita pelo site IG uma das 10 Mulheres Brasileiras Mais Influentes das Mídias Brasileiras. O currículo completo (http://lilianeferrari.wordpress.com/), não pode ser lido simplesmente. Deve ser admirado com todo o respeito necessário às suas intensas realizações. Parece até incabível se nos atentarmos aos seus declarados 13 anos de carreira. Facilita o entendimento se prestarmos atenção a algumas auto-definições: “Tenho a curiosidade no nível máximo! Hiperativa crônica!”

Ah sim. Agora faz sentido!

Em um bate-papo com o Blog2Learn, tentamos entender um pouco sobre o seu jeito de aprender e sua visão sobre as novas formas de aprendizagem presentes nas mídias sociais.

Agradecemos a oportunidade de tê-la aqui, compartilhando e inaugurando uma série de entrevistas sobre este assunto tão presente no nosso cotidiano virtual.

B2L: Quando deparada com a necessidade de estudar, como você descreveria seu processo de aprendizagem?

Primeiro eu faço uma busca num Google. Começo a dar uma olhada no que encontrei, faço uma triagem no que encontrei para encontrar o que é melhor, nos que tem informação mais confiável, porque nem tudo que aparece da pra você ler e confiar que esta certinho. Depois, se eu gosto muito do assunto, compro um livro. Ainda não leio livros em pdf, não gosto muito. Busco complementar com livro, um de papel mesmo. Eu ainda não consigo ler um livro em pdf. Quando eu leio ou vejo um programa, gosto de contar pra todo mundo. Funciona, para mim, como uma forma de aprender. Quando eu falo aquilo que eu li, eu geralmente aprendo. Tenho esta necessidade.

B2L: Qual o papel da rede social, blogs e twitter no aprendizado?

De me mostrar conhecimentos diversos, diversos pontos de vista. No twitter, por exemplo, sempre tem o assunto do dia. Ali eu sigo e posso ver diversos pontos de vista, várias pessoas diferentes. Pessoas que apóiam, que desaprovam, que tem um raciocínio mais sofisticado sobre aquilo que foi falado e que reflexiona mais e outras que já são mais espontâneas e falam o que pensam. Eu gosto de ter aquilo como ferramenta para ser meio um panorama de como as pessoas estão pensando.

B2L: Então hoje em dia é importante saber como as pessoas pensam em volta de você?

Sim, e como pensam como elaboram o pensamento, eu acho legal ver.

B2L: Vamos pensar nos últimos 10-12 anos. Pelo que entendi,  você é uma pessoa muito social, que precisa de gente, Você é uma pessoa que se conecta com outras pessoas, que está sempre no social. Como mudou essa sua rede?

Eu sempre gostei muito de pessoas, de falar com todo mundo. Na escola, desde a 7ª série eu queria ser representante de classe, queria passar em todas as salas, falava com todo mundo, agitava festinha e tal. Da 7ª série até hoje passou um tempão, mas eu praticamente continuo tendo a mesma vontade de falar com pessoas, de ver pessoas. A Internet, para mim, somente potencializou porque quando você não tem internet você depende do seu corpo físico pra conseguir dar conta de ir ao seu amigo, falar com ele, sair, andar, ir pra um lugar e pro outro. Quando você está na internet, está parado ali, quietinho e ao mesmo tempo você fala com todos os seus amigos. Dá uma otimizada no tempo. Facilita muito e é essa coisa que facilita, potencializa. Você gasta menos energia e faz mais coisas.

B2L: Pensando um pouco na geração Y. Ela é rotulada como aqueles que nasceram  depoisp de 1980 e são caracterizados pelo imediatismo, com uma necessidade de estar conectados, precisam se sentir parte de um grupo, fazer acontecer. Isso não é uma coisa comum a todos e não exclusiva a esta faixa etária, mas é uma característica em linhas gerais. Existe uma questão grande hoje em dia quanto ao amadurecimento desta geração. Qual o impacto, a mudança na sociedade você imagina que vai ocorrer com o amadurecimento da Geração Y e a chegada no poder?

Acho que dentro desta geração tem aquelas pessoas que também são parecidas comigo. Que gostam de falar, conversar com o outro, existem em rede e tal. Acho que existe um outro grupo dentro desta geração que tem uma personalidade que não é esta “quero ter um milhão de amigos no facebook” ou “quero ter um monte de gente me seguindo no twitter”. Acho que tem ainda gente que apesar de ter nascido numa geração bem mais digital do que eu, que nasci em 75,  ainda usa a ferramenta como gente que gosta de falar com gente.

O que eu acho que pode melhorar é que estas pessoas já tem a tecnologia incorporada no dia a dia, no cotidiano. Então, talvez quando estas pessoas chegarem ao poder,  as questões de tecnologia e facilitação de processos burocráticos podem ser melhorados porque vai ser uma geração mais familiarizada para usar  as ferramentas. Elas são coisas muito cotidianas, corriqueiras em termos técnicos. Mas em termos de conteúdo e relacionamento eu sempre acreditei que faz muito mais parte da personalidade da geração.

Sou formada desde 1996 e vejo muita diferença. Já fizemos reunião de formados. Tenho colegas da faculdade que não sabem usar e-mail direito. Outro dia fui em um evento e tinha uma garota novinha de 19 anos dizendo como ela lidava com a Internet e eu me achei muito mais parecida com ela do que  com as pessoas que são da minha idade. Por isso eu acho que é mais uma coisa de personalidade.

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Tive o prazer de trabalhar como engenheiro de software na IBM, uma das empresas que, na minha opinião, prova que tradição e inovação é uma mistura que dá certo na busca por sucesso.

Na época eu trabalhava em uma equipe global do Linux Technology Center. Eu ficava sozinho no Brasil e meus colegas espalhados em alguns estados dos Estados Unidos, na Inglaterra e na Índia. Foi lá que pela primeira vez experimentei o uso intensivo da Internet para me comunicar com colegas de trabalho. Entre as ferramentas que usávamos uma me chamou especial atenção, sobretudo pelo volume de usuários e pela atividade gerada. Era a BluePages, rede social corporativa interna da IBM, criada no início da década de 2000 para conectar funcionários que, como eu, viviam em “cantos remotos” do mundo e/ou trabalhavam em equipes geograficamente distribuidas. Em 2007, quando eu sai da IBM, a BluePages tinha 450.000 perfis de colaboradores e recebia 6 milhões de visitas diárias.

A BluePages é uma versão modificada das redes sociais abertas como Orkut e Facebook. Ela permite a criação de perfis de usuários com informações de contato, fotos, criação de biografia, descrição de competências pessoais, interesses profissionais e pessoais, criação de blogs e compartilhamento de bookmarks, assim como conexão com “colegas” e mecanismos de tagging (marcação de conteúdos com palavras-chave).

O primeiro efeito que essa rede teve sobre mim foi de me dar a sensação de conhecer meus colegas de trabalho, mesmo eles estando a milhares de km de mim. Depois de pouco tempo na empresa eu os reconheceria andando no meio da rua. Começava os conference calls perguntando como estava o andamento da venda da casa da minha chefe, ou como havia sido o fim de semana na praia de um dos meus colegas que acabou virando um amigo. Ou seja, eu me sentia interagindo com seres humanos e não com um email ou um número de telefone.

A segunda coisa que percebi foi como era fácil achar pessoas com habilidades específicas dentro da IBM. Eu trabalhava como engenheiro de testes de um produto relativamente complexo, formado por vários componentes. Em um estágio do projeto eu deveria elaborar ferramentas de testes para um compilador Java. Logo eu percebi que para fazer um trabalho decente eu precisaria da ajuda de um especialista na tecnologia e que esse perfil era inexistente na minha equipe. Em alguns minutos de busca na BluePages eu descobri que uma das maiores assumidades no assunto trabalhava na IBM da Inglaterra e uma hora depois eu estava conversando com ela.

Tempos depois o IBM Watson Research Center lançou o Beehive, uma rede social experimental para a empresa que vai muito além das funcionalidades oferecidas pela BluePages. Mas esse é um assunto para um próximo post!

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