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Todos queremos ser jovens (We all want to be young)
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Meu amigo e consultor Rodolfo Baccarelli enviou um dos melhores vídeos que já vi para descrever a Geração Y do ponto de vista histórico e apontar sua influência no futuro econômico e social.
Pluralismo, simultaneidade e liberdade são características intrínsecas a Geração Y. Trazendo para nosso contexto de aprendizagem corporativa e gestão do conhecimento: o novo sempre intimida. Como engajar e motivar esses jovens no ambiente de trabalho? Como acompanhar o dinamismo social?
Como diz o vídeo, quem acha que já sabe bastante e está em paz com seu espaço e atitudes está oficialmente excluído.
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Blog2Learn Entrevista: Bruno Ayres
3 Comentários | Criado por wilton.pinheiro em B2Learn, Futuro da Tecnologia, Inovação, Redes Sociais
Bruno Ayres, fundador e coordenador do Portal do Voluntário, foi nosso convidado para um bate papo sobre o crescimento do trabalho voluntário, a utilização das mídias sociais como agentes deste crescimento e ainda como a prática das ações sociais determina o interesse dos jovens talentos pelas empresas.
Lançado em dezembro de 2000, o Portal do Voluntário surgiu como plataforma de continuidade ao Programa Voluntários, da Comunidade Solidária. Seu crescimento aconteceu em paralelo ao crescimento das redes sociais, e talvez até em função destas, já que também foi uma das primeiras aplicações de voluntariado em redes sociais do mundo. “Senão a primeira” – conforme nos conta Bruno.
Pioneirismo é a palavra chave desta conversa: Bruno Ayres fez carreira junto ao terceiro setor, desmitificando a idéia de que uma organização não governamental é financeiramente inviável; ao mesmo tempo fez a história acontecer, unindo forças diversas da sociedade em prol da prática do trabalho voluntário.
Podemos dizer sim que o crescimento do trabalho voluntário no Brasil, assim como o aumento do engajamento das pessoas é diretamente relacionado ao trabalho de Bruno. Por isso, nada mais justo que sua identificação imediata como agente direto na transformação do mundo, para o bem.
O portal é agora V2V Brasil, uma empresa híbrida, com atuação dentro e fora do país. Conheça a história que vale a pena ser contada, recontada e que continua sendo escrita. A várias mãos.
B2L: Por favor, conte um pouco da história e motivação para a criação da V2V.
Formei-me em Administração de empresas pela UNB e desde que era estudante tinha uma veia empreendedora muito forte. Fui da Empresa Junior da UNB, ocupei um cargo operativo, depois marketing, cheguei a Presidente e nessa experiência eu acabei fazendo muitos contatos. Fundei a minha primeira empresa aos 22 anos de idade. Era uma empresa de informação, de pesquisa de mercado e opinião pública. Esta foi a minha primeira experiência empreendedora.
Esta empresa existiu por cerca de 4 anos e depois eu decidi fazer um mestrado no Rio de Janeiro. Me interessei muito pelo tema social. Sempre tinha na cabeça que eu poderia trabalhar numa coisa como essa e na época que eu fiz faculdade não se falava muito em terceiro setor, não era considerado uma carreira. A idéia era sempre “primeiro vá ganhar o seu dinheiro e depois faça alguma coisa voltada para isto”.
Aí eu vi que o terceiro setor era uma oportunidade profissional interessante e eu quis estudar o assunto e trabalhar com isto. Vim para o Rio fazer uma tese de mestrado sobre como a informação pode estimular pessoas a serem voluntárias. Estudando isto eu me engajei no programa de voluntários da Comunidade Solidária da Ruth Cardoso.
Logo no primeiro ano surgiu a oportunidade de fazer o Portal do Voluntário. Nós fizemos e foi um sucesso danado no primeiro ano. O projeto deveria durar somente um ano! Acabou que dura até hoje. Comemoramos 10 anos. Foi uma experiência muito interessante, eu pude implementar várias coisas que eu tinha estudado na Universidade no campo prático. Uma das coisas que ficou muito clara na minha pesquisa de mestrado é que a informação fortalece o cidadão para que ele seja voluntário e faz com que algumas barreiras sejam transpostas com isso, como por exemplo, uma formalização excessiva na atividade voluntária no Brasil.
Antes, havia uma idéia muito romântica de que o ideal seria você profissionalizar ações voluntárias e isso gerava um engessamento muito grande já que conseguir uma atividade voluntária era quase que como conseguir um emprego. Você tinha mil entrevistas e todo aquele processo de recrutamento congelava a vitalidade do voluntário, aquela que ele tem quando quer começar a se voluntariar. Nem todas as atividades voluntárias precisam de uma formalização. Quando você vai atuar em um hospital ou em alguma coisa muito crítica você precisa saber muitas normas, por exemplo. Mas a maioria dos voluntários são pessoas como eu e você, que tem uma idéia, se juntam e vão fazer alguma coisa. Não necessariamente passam por um processo formal de engajamento. Focamos então nas pessoas que tinham as idéias e queriam fazer coisas até porque o número de Instituições no Brasil hoje, cerca de 300 mil, pesa de um lado da balança, mas do outro você tem quase 60 milhões de brasileiros que querem ser voluntários. Então mesmo se as instituições estivessem todas prontas para receber os voluntários, teria muita gente na fila.
Resolvemos fazer um sistema em que as pessoas pudessem, elas mesmas, entrar em contato pra realizar suas coisas, divulgar suas ações, enfim. Foi quando começamos a trabalhar com a idéia de blog em 2002 e aí nos deparamos com o Orkut. Nos pareceu incrível, pouca gente no Brasil usava na época e resolvemos, no final de 2003, que colocaríamos nosso formato de blog, em um formato de redes sociais. A gente certamente foi uma das primeiras aplicações de voluntariado em redes sociais do mundo(senão a primeira) e fez muito sucesso com isto.
Em 2004 fomos convidados para congressos internacionais, apresentamos nossas idéias de desformalização do voluntariado junto com a discussão de Web 2.0, que era novíssima na época. Isto tudo nos deu um impulso muito grande. No Brasil multiplicamos nosso número de parceiros. Somente um parênteses: a gente se viabiliza financeiramente customizando nossa rede. O Portal do Voluntariado para uso dentro das empresas privadas. Toda a sociedade pode usar o Portal de forma gratuita, mas quem quer customizações nos paga para que façamos isto. Empresas como Itaú, Vale, HSBC são empresas que tem o seu Portal do Voluntariado corporativo para os funcionários.
O numero de parceiros se multiplicou muito e fomos convidados para fazer o V2V nos EUA em parceria com o Starbucks. Isto foi em 2006/ 2007. Implementamos lá e hoje o V2V é uma empresa.
De 2 anos pra cá, percebemos que não tínhamos nenhuma ação social direta, éramos mais ferramenteiros, oferecíamos o serviço somente. Percebemos que precisávamos de um dinamismo gerencial que a ONG não dá no sentido de investimentos, pagar as pessoas como a iniciativa privada, reter talentos.
Hoje, a V2V é uma empresa social que tem hoje cerca de 100 mil participantes, usuários do mundo inteiro e desenvolve cerca de 20 mil acessos voluntários.
B2L: A história é impressionante. A V2V foi uma das primeiras redes sociais brasileiras e a rede social é hoje uma “commoditie” : todo mundo usa Facebook, Orkut. Como vai ser a sinergia da V2V com estas outras redes de outros nichos. Como você falou, o V2V usa estas mídias para poder potencializar os todos os canais.
Começamos este ano a fazer as conexões. Os novos V2Vs já estão surgindo com conexões com o Twitter, Facebook e Orkut. A idéia é que estas plataformas todas se conectem, para que possamos informar voluntários que estão em qualquer uma delas e a partir daí, quem quiser se aprofundar vai para dentro do V2V. Nossa idéia é conversar com todos, há uma proliferação muito grande das redes e eu acho isso ótimo, torna tudo mais transparente, a coisa flui muito melhor e realmente, aquela visão de futuro que a gente tinha que as relações voluntárias seriam cada vez mais pessoais e menos formais, realmente acabou acontecendo. Parte porque a gente ajudou, mas em grande parte porque a sociedade queria e caminhou pra isso naturalmente.
B2L: Na sua opinião, qual a principal característica que diferencia um voluntário de algum colaborador pago?
Desejo, a vontade de participar e a independência. Ninguém obriga o voluntario a participar, você precisa ter o acordo dele para que ele faça e isto torna qualquer atividade diferente na essência.
Uma vez eu conheci o Jimmy Wales, uma das coisas que ele falou foi que mesmo que ele tivesse todo o dinheiro do mundo para pagar a Wikipédia, não existiria a Wikipedia. Toda a liberdade, a diversidade de assuntos, por menores e mais localizados que eles sejam, não haveria esta vivacidade, não fosse o fato deles serem voluntários.
Acho que o voluntariado está na essência da criatividade, mesmo o trabalho pago, coisas realmente geniais, o que está por trás é realmente uma vontade muito grande de resolver algum problema. O cara vai além das horas pagas, pensa fora da caixa, assume riscos. Para tudo isto, ele ta doando um pouco de si. Eu acho que todas as coisas grandes são realizadas com um intuito voluntário.
B2L: Traçando um paralelo com a Geração Y, os jovens talentos que estão hoje no mercado: estes jovens não são motivados exclusivamente pelo salário. Um balde de dinheiro não faz estes jovens trabalharem mais ou menos, eles precisam da oportunidade de aprendizado, da relevância; sentir que fazem parte de um todo. Você acha que o perfil destes jovens que estão entrando nas empresas agora, ou mesmo empreendendo, é mais próximo ao de um voluntário?
Eu acho que sim. Acho que essa garotada entende perfeitamente tudo isso que você falou. Não basta um bom pacote de benefícios, é preciso conquistar um pouco da alma deles também. Cada vez mais eles procuram empresas que estejam preocupadas com a sustentabilidade, com o impacto que o seu negócio, produto ou serviço tem sobre a sociedade. Eu penso que a empresa que não tem isso, não irá pegar os melhores talentos.
Penso ainda que é por isso que todas as empresas estão fazendo seus programas de voluntariado e estão preocupadas com estes temas. É um pré requisito básico na retenção de talentos. Quando eu penso na minha experiência, quando era jovem eu queria fazer tais coisas, mas o mercado parecia um só: vá atrás de dinheiro, priorize isto, ou não existe outro mundo. Descobri ao longo da minha carreira, que não é assim. Fiz uma carreira no terceiro setor, hoje tenho uma empresa híbrida e eu acho que estes mundos estão se misturando cada vez mais. Você não precisa mais isolar a sua escolha “eu quero é dinheiro” ou “eu quero a ação social”. Você pode muito bem ganhar a sua vida, trazendo um produto que a sociedade precise, que seja bom pra ela e que seja bom para você ao mesmo tempo. Estas fronteiras vão, cada vez mais, se diluir. E a empresa que não responder aos anseios não só materiais, mas também pessoais dos seus funcionários, pensando no que eles querem, qual a visão de sociedade que eles têm e como ela pode ajudar este colaborador a realizar esta visão social, vão ficar para trás.
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Blog2Learn entrevista: Liliane Ferrari
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Jornalista, produtora cultural, blogueira. É heavy-user de internet e participa de redes sociais. Já foi eleita pelo site IG uma das 10 Mulheres Brasileiras Mais Influentes das Mídias Brasileiras. O currículo completo (http://lilianeferrari.wordpress.com/), não pode ser lido simplesmente. Deve ser admirado com todo o respeito necessário às suas intensas realizações. Parece até incabível se nos atentarmos aos seus declarados 13 anos de carreira. Facilita o entendimento se prestarmos atenção a algumas auto-definições: “Tenho a curiosidade no nível máximo! Hiperativa crônica!”
Ah sim. Agora faz sentido!
Em um bate-papo com o Blog2Learn, tentamos entender um pouco sobre o seu jeito de aprender e sua visão sobre as novas formas de aprendizagem presentes nas mídias sociais.
Agradecemos a oportunidade de tê-la aqui, compartilhando e inaugurando uma série de entrevistas sobre este assunto tão presente no nosso cotidiano virtual.
B2L: Quando deparada com a necessidade de estudar, como você descreveria seu processo de aprendizagem?
Primeiro eu faço uma busca num Google. Começo a dar uma olhada no que encontrei, faço uma triagem no que encontrei para encontrar o que é melhor, nos que tem informação mais confiável, porque nem tudo que aparece da pra você ler e confiar que esta certinho. Depois, se eu gosto muito do assunto, compro um livro. Ainda não leio livros em pdf, não gosto muito. Busco complementar com livro, um de papel mesmo. Eu ainda não consigo ler um livro em pdf. Quando eu leio ou vejo um programa, gosto de contar pra todo mundo. Funciona, para mim, como uma forma de aprender. Quando eu falo aquilo que eu li, eu geralmente aprendo. Tenho esta necessidade.
B2L: Qual o papel da rede social, blogs e twitter no aprendizado?
De me mostrar conhecimentos diversos, diversos pontos de vista. No twitter, por exemplo, sempre tem o assunto do dia. Ali eu sigo e posso ver diversos pontos de vista, várias pessoas diferentes. Pessoas que apóiam, que desaprovam, que tem um raciocínio mais sofisticado sobre aquilo que foi falado e que reflexiona mais e outras que já são mais espontâneas e falam o que pensam. Eu gosto de ter aquilo como ferramenta para ser meio um panorama de como as pessoas estão pensando.
B2L: Então hoje em dia é importante saber como as pessoas pensam em volta de você?
Sim, e como pensam como elaboram o pensamento, eu acho legal ver.
B2L: Vamos pensar nos últimos 10-12 anos. Pelo que entendi, você é uma pessoa muito social, que precisa de gente, Você é uma pessoa que se conecta com outras pessoas, que está sempre no social. Como mudou essa sua rede?
Eu sempre gostei muito de pessoas, de falar com todo mundo. Na escola, desde a 7ª série eu queria ser representante de classe, queria passar em todas as salas, falava com todo mundo, agitava festinha e tal. Da 7ª série até hoje passou um tempão, mas eu praticamente continuo tendo a mesma vontade de falar com pessoas, de ver pessoas. A Internet, para mim, somente potencializou porque quando você não tem internet você depende do seu corpo físico pra conseguir dar conta de ir ao seu amigo, falar com ele, sair, andar, ir pra um lugar e pro outro. Quando você está na internet, está parado ali, quietinho e ao mesmo tempo você fala com todos os seus amigos. Dá uma otimizada no tempo. Facilita muito e é essa coisa que facilita, potencializa. Você gasta menos energia e faz mais coisas.
B2L: Pensando um pouco na geração Y. Ela é rotulada como aqueles que nasceram depoisp de 1980 e são caracterizados pelo imediatismo, com uma necessidade de estar conectados, precisam se sentir parte de um grupo, fazer acontecer. Isso não é uma coisa comum a todos e não exclusiva a esta faixa etária, mas é uma característica em linhas gerais. Existe uma questão grande hoje em dia quanto ao amadurecimento desta geração. Qual o impacto, a mudança na sociedade você imagina que vai ocorrer com o amadurecimento da Geração Y e a chegada no poder?
Acho que dentro desta geração tem aquelas pessoas que também são parecidas comigo. Que gostam de falar, conversar com o outro, existem em rede e tal. Acho que existe um outro grupo dentro desta geração que tem uma personalidade que não é esta “quero ter um milhão de amigos no facebook” ou “quero ter um monte de gente me seguindo no twitter”. Acho que tem ainda gente que apesar de ter nascido numa geração bem mais digital do que eu, que nasci em 75, ainda usa a ferramenta como gente que gosta de falar com gente.
O que eu acho que pode melhorar é que estas pessoas já tem a tecnologia incorporada no dia a dia, no cotidiano. Então, talvez quando estas pessoas chegarem ao poder, as questões de tecnologia e facilitação de processos burocráticos podem ser melhorados porque vai ser uma geração mais familiarizada para usar as ferramentas. Elas são coisas muito cotidianas, corriqueiras em termos técnicos. Mas em termos de conteúdo e relacionamento eu sempre acreditei que faz muito mais parte da personalidade da geração.
Sou formada desde 1996 e vejo muita diferença. Já fizemos reunião de formados. Tenho colegas da faculdade que não sabem usar e-mail direito. Outro dia fui em um evento e tinha uma garota novinha de 19 anos dizendo como ela lidava com a Internet e eu me achei muito mais parecida com ela do que com as pessoas que são da minha idade. Por isso eu acho que é mais uma coisa de personalidade.
